quarta-feira, 16 de junho de 2010

O sapo e o escorpião

O sapo e o escorpião:

Tudo estava correndo muito bem com os preparativos da grande festa do senhor Sapão. Era um dia muito aguardado por sua pessoa e queria que nada saísse errado.
- Feliz aniversario senhor Sapão!
Desejou a Dona centopéia.
- Fico muito agradecido pelo carinho.
Respondeu feliz o sapo.
- Todos estão comentando sobre sua festa, será o evento do ano neste tão pacato bosque.
- Espero que todos fiquem satisfeitos, estou fazendo o meu melhor!
Sapão ainda tinha de comprar diversos artigos para a festança, ele despediu rapidamente da centopéia e partiu em direção ao mercado para finalizar sua compra.
- Olá meu amigo sapo, um ótimo aniversario para você.
Disse a animada toupeira, desviando a atenção de Sapão.
- Ah, muito obrigado meu amigo! Fico feliz que tenha lembrado.
Respondeu tentando logo acabar com a conversa para poder comprar suas mercadorias antes que o armazém fechasse.
- Quantos anos o senhor esta completando meu amigo?
Perguntou sem perceber a indelicadeza
- Ora, isto é um segredo.
Respondeu em tom de brincadeira, mas obviamente irritado.
- Não vou lhe tomar mais seu tempo, nos vemos hoje na grande festa.
Sapão logo se despediu e logo partiu para o término das compras.
“Hum, tenho de comprar mais copos e pratos, comprar mais balões, pois festa sem balão não é uma festa, comprar mais frutas para os sucos e toalhas. Tenho de comprar mais toalhas!” Pensou o sapo.
Sapão saltava o mais rápido possível, pois o caminho era longo e a hora de fechar do mercado ia se aproximando.
- Sapão! Sapão não seja indelicado, venha cá para que eu possa te parabenizar por este dia!
Falou a velha coruja
Sapão sabia que não poderia fazer uma desfeita desta com a velhinha, principalmente uma velhinha tão sabia e atenciosa como a coruja.
- Entre aqui em minha toca rapaz, não vou lhe tomar muito seu tempo!
Insistiu a coruja.
- Oh, mas é claro senhora, mas não posso me atrasar muito, pois tenho de passar no mercado para comprar alguns artigos para festa.
Sapão entrou na toca da coruja e lá ficou por alguns minutos. A senhora coruja queira saber de tudo sobre sapão, perguntou sobre sua família, sobre seu trabalho, sobre sua saúde e sobre sua grande festa. Sapão respondeu com toda delicadeza possível, entretanto já estava começando a demonstrar sinais de irritação, pois sabia que logo iria se fechar o mercado.
- Gostaria de um pouco de chá Sapão?
Perguntou a velha ave.
- Senhora, se eu não estivesse tão ocupado realmente seria um prazer ficar e tomar um pouco de chá nesta toca tão agradável, mas realmente preciso ir, me desculpa a indelicadeza.

Respondeu o sapo.
- Ora, claro que não há problema meu filho. Vá rapidamente, esqueci de seu compromisso com o mercado, vá antes que ele feche!
Disse amorosamente a coruja
- Obrigado pela compreensão, outro dia volto para o chá, será um grande prazer!
- O prazer será todo meu!
Logo após se despedir o sapo saiu a saltar mais rápido ainda, estava em desespero, pois faltava ainda um bocado de distancia até o mercado de coelhão.
“Ai, espero que ninguém mais interrompa a minha trajetória e se interromper ignoro!”
Pensou Sapão decidido a não falar com mais nenhum animal daquele bosque.
- Sapão, Feliz aniversario!
Gritou alguém, mas o sapo nem deu atenção.
- Ei seu sapo, parabéns!
Outro gritou, entretanto Sapão fingiu que não era com ele.
Estou quase lá, acho que vou conseguir não me atrasar.
- Ei você, parado ai! Não é permitido correr tão rapidamente neste local.
Sapão realmente não acreditava naquilo, foi dar de cara justamente com o cão policial do bosque, realmente estava sem sorte o sapo.
- Desculpa seu policial, prometo não ir tão rápido!
Disse com remorso o sapo.
- Nada disso seu Sapão, só queria lhe pregar uma peça! É que você estava tão apressado que não achei outra solução, senão esta, para lhe poder desejar os parabéns.
Sapão agora ficara mais furioso ainda, mas não disse mais nada alem de um seco “obrigado” ao cão, afinal não queria ser preso bem no dia do seu aniversario por desacato a autoridade.
O aniversariante do dia partiu rapidamente dali e quando estava próximo do mercado foi parado por outro animal.
- Vai passar assim sem ao menos cumprimentar seu velho professor?
Disse o sábio macaco.
Sapão não poderia fazer aquela desfeita com seu antigo professor. Mas sabia que se ficasse, teria de conversar com ele durante um bom tempo, pois o velho macaco adorava uma boa conversa.
Depois de muito responder, Sapão despediu-se do primata e partiu em direção ao mercado. Mas ao alcançá-lo de vez percebeu que este já havia se fechado. Sapão se esquecera que naquele exato dia era feriado no bosque e que o comércio fecharia um pouco mais cedo do que de costume.
Sapão estava desolado, não acreditava que fizera tanto esforço por nada e não queria que sua festa fosse um total fracasso por causa dos itens ainda não comprados.
“O que irei fazer?” Pensou o anfíbio.
- Qual o seu problema sapo?
Perguntou certo escorpião.
- O problema é que precisa fazer compras urgentemente aqui no mercado, mas vejo que este já está fechado.
Respondeu em tom de fracasso Sapão.
- Olha caro anfíbio, se você me ajudar eu poderei retribuir o favor!
Falou o escorpião;
- Mas como?
Perguntou intrigado o sapo.


- Vê aquele lago ali adiante. Pois bem, depois que atravessá-lo encontrara adiante uma vila, lá poderá achar o mercado do senhor besouro, que fica aberto até tarde da noite.
Respondeu o aracnídeo.
- Mas o que você quer em troca da informação?
Perguntou desconfiado Sapão
- Nada demais, veja, estou neste lugar apenas de passagem, pois moro naquela vila depois do lago e não tenho algo que possa me levar para lá!
Disse o pequeno escorpião.
- Então o senhor quer uma carona em minhas costas? Mas de jeito algum! Não posso andar com alguém que carrega um veneno tão mortífero em si!
Falou exaltado o sapo.
- Pensei que você estava desesperado para fazer compras. Olha, fui mandado para este lado para pensar um pouco sobre esta história de sair picando os outros por aí e estou arrependido, não quero nunca mais fazer isto em minha vida!
Sapão estava confuso, como confiar em alguém que nunca vira em sua vida, principalmente se este carregava em si algo tão letal. “Ah, mas este escorpião parece tão arrependido e muito sincero em suas palavras, acho que não há problema em transportá-lo ao outro lado e no mais, onde irei conseguir um mercado aberto por este lado?” Pensou o sapo.
- Ok, vou transportá-lo, mas lembre-se que você prometeu não me ferroar!
Sapão tomou o escorpião em suas costas, saltou em direção ao lago e partiu nadando em direção a vila.
- Ai, minhas costas!
Gritou o sapo quando já haviam alcançado o meio do lago.
- Não entendo escorpião, você prometeu que não iria me causar dano. Não vê que agora nos dois iremos morrer no meio deste imenso lago?
Disse em prantos o insensato sapinho.
- Desculpe, mas é minha natureza senhor sapo!
Acabou-se ali a festa do sapinho, que em sua insensatez tomou conselhos de um desconhecido, que logo mostrou sua verdadeira natureza.

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