Carlinhos era um menino muito complicado e com apenas sete anos de idade já causara muita confusão em casa. Carlos de Almeida Pasquim Júnior era filho de um grande empresário paulista. Seu pai era um homem trabalhador que conquistara toda a sua riqueza através de muito esforço e dedicação, mas um pai totalmente ausente e ao mesmo tempo rígido para com seu único filho.
Dona Flávia, mãe do pequeno Carlinhos também não era o melhor exemplo de maternidade. Flávia de Almeida era uma mãe muito jovem e inexperiente, casara com apenas dezenove anos e aos vinte já dera luz ao seu primeiro filho. Flávia amava seu filho e sempre desejara o melhor para o garoto, entretanto passava mais tempo em compras e festas do que cuidando de sua criança. Carlinhos conhecera a repreencao desde pequeno. Ele era o terror do luxuoso edifício primavera, situado no mais nobre bairro da capital paulista. Seu Manuel, porteiro do prédio, sempre aparecia à porta do apartamento dos Pasquim, conduzindo o garoto pelo braço e o entregando aos cuidados de dona Carmelita, uma babá de sessenta anos de idade, que passava a maioria de seu tempo dormindo à frente da televisão.
Nenhuma criança desejava a companhia do pequeno Carlos. O garoto era sempre excluído das brincadeiras e das conversas infantis. As crianças de seu prédio e de sua escola o achavam violento e impertinente e as garotas de sua idade o odiavam. Carlinhos estava sempre batendo em alguns, chutando outros, jogando água e outras coisas nojentas nas meninas e sempre rasgando seus cadernos. A carência do menino era notada por todos em sua volta.
No auge de sua falência autoritária, Flávia convidou seu amado pai, um senhor do interior gaúcho e presbitero de uma igreja batista para ajudar na educação de seu filho. Dr. Luís de almeida era um excelente advogado e o mais conhecido de sua cidade. Sua maior honra era a de ser conhecido como o advogado dos pobres. Vovô Luiz também era muito querido em sua igreja e sua família, pois era um homem sábio e muito temente a Deus. Flávia era a princesa de seu pai, era a mais amada de suas três filhas e seu pai era capaz de fazer tudo por ela.
Quando Dr. Luiz chegou ao apartamento da filha logo percebeu que sua tarefa não seria fácil. Carlinhos estava deixando todos malucos dentro de casa e sua falta de limites era nítida. A mãe logo foi chamar o garoto para saudar o avô e em pouco tempo a criança já estava calma, sentada no colo de Dr. Luís para escutar uma história. Os dois se divertiram durante toda a tarde e Flávia já começava a se sentir mais aliviada com a presença do pai.
Certa vez, após uma explosão de raiva por parte de Carlinhos, o avô chamou o menino até a garagem e passou o resto do dia lhe ensinando a martelar um prego em diversos tipos de superfície. Então, logo após a aula, Luiz pegou uma barra de madeira e entregou a crianca. Dr. Luiz disse ao garoto que toda a vez que ele acabasse brigando com alguém, era para tomar um prego e crava-lo sobre o toco, sendo que cada prego representaria uma pessoa. Carlinhos tomou o material fornecido pelo avô e o guardou no quarto.
Quinze dias se passaram e durante este período, o menino havia irritado algumas pessoas e ao todo oito pregos foram cravados na madeira. O avô chamou o menino, e após ensina-lo sobre perdão, pediu para que Carlinhos se desculpa-se com todas aquelas pessoas representadas pelos pregos. Após pedir perdão o garoto retornou a presença do avô e ao avista-lo foi surpreendido pela a ausência dos pregos sobre o toco. Seu avô havia retirado todos.
- Onde estão os pregos vovô?
Perguntou Carlinhos.
O avô tomou o menino ao colo e respondeu:
- Meu querido Neto, há alguns longos anos atrás, viveu um grande príncipe em um país muito longe do nosso. Este homem era muito bom e adorava ajudar as pessoas de sua época. Mas o seu povo era feito de pessoas más que adoravam importunar os outros. Estes homens eram tão mals que resolveram matar o príncipe, o pregando numa cruz.
- Mas Sabe Carlinhos, este povo não esperava que este príncipe pudesse vencer a morte, e foi isto mesmo que ele fez três dias após ser sepultado. O nome deste poderoso você provavelmente deve conhecer, ele se chama Jesus, meu neto. E a história não termina aí filho, o que aquelas pessoas não sabiam é que Cristo daria um novo coração para eles, se cada um se arrependesse de suas maldades. Quando você, meu amado neto, faz uma maldade com alguma pessoa é como se estivesse encravando um destes pregos em Jesus, você se torna como um daquele povo mal.
- Mas eu não quero ser uma pessoa má vovô! Como faço para consertar as coisas? Perguntou o m
Menino.
- Estes pregos, meu filho, só saem pelo poder do perdão. Você viu que os pregos que você pregou nesta madeira só saíram quando você pediu perdão as pessoas que você machucou? Assim também acontece conosco, Deus só retira os pregos da maldade de nossa vida quando nos arrependemos de nossos pecados.
Depois de toda aquela conversa, Carlinhos foi para seu quarto e pediu perdão para Jesus por ser tão mal com as pessoas, Carlinhos o garoto considerado por muitos como problemático e sem correção, estava agora arrependido de toda a maldade e mesmo sendo apenas uma criança, desejava muito mudar de vida e sua mudança foi nítida para todos. Carlinhos já não dava mais problema dentro de casa, não apontava mais na escola e ensinava para todos agora o poder do perdão através da prática de pregar pregos em uma viga de madeira, ele se tornara uma nova criança e antes da partida de seu avô ele dissera:
- Muito obrigado vovô!
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