sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Crônicas infantis...O Sâbio rato

Certa vez Seu Ratão estava colhendo amoras pela floresta bonita. Seu Ratão era um rato silvestre de muita sabedoria e diversos animais apareciam em sua toca todas às noites de lua cheia para ouvir suas histórias.

Seu Ratão tinha um grande problema, sua visão era muito ruim e seus velhos óculos não lhe ajudavam muito. O velho sábio já consultara o doutor Gafanhoto diversas vezes e este nada poderá fazer pelo Ratão. Tudo o que Ratão podia fazer era confiar em seus outros sentidos e sua inteligência.

- Bom dia sábio Ratão, as amoras estão ótimas nesta época do ano!

Disse Dona Coelhita

- Muito bom dia para a senhora também! Este grande barulho de pequenos pezinhos são os seus filhotes?

Perguntou Ratão.

- Sim senhor! Trouxe trinta deles para passear, mas como é difícil vigiá-los!

- Ora minha simpática Coelha, quando trazê-los, traga os três mais velhos e coloque cada um deles para vigiar um grupo de dez. Tenho certeza que aliviara muito a sua carga.

Seu Ratão passou a semana inteira colhendo amoras. O seu trabalho não era fácil, pois sempre trombava em algo, além de passar muito tempo tentando encontrá-las.

Cada dia encontrava alguém diferente e sempre tinha um conselho novo para dar.

- Como vai seu Ratão?

Perguntou leitão leitoso.

- Tudo bem meu jovem rechonchudo.

Respondeu o rato silvestre.

- Seu Ratão preciso de sua ajuda! Estou preparando um delicioso bolo de mel e leite para o lanchinho da tarde e gostaria de usar o delicioso mel que encontrei dentro deste tronco oco e cortado. Mas não consigo entrar dentro dele para pegar um pouco daquela doçura, pois sempre que tento, acabo ficando entalado. O que devo fazer meu amigo?

- Primeiramente lhe aconselharia um regime, pois assim você irá tornar alvo fácil para os predadores que aqui habitam, mas como penso que o senhor não esta disposto a tal sacrifício, lhe aconselho a trazer um pouco de manteiga para passar em seu grande corpo.

Falou Seu Ratão.

Seu Ratão cumpriu sua jornada até a amoreira durante todo o mês. Queria ter a quantidade exata para quando chegasse o inverno.

Em uma tarde, enquanto coletava suas frutas, um estranho lhe pediu a atenção.

- Boa tarde caro rato silvestre.

Perguntou o estranho

- Não costumo saudar estranhos quando estou longe de minha toca. Pode ser perigoso!

Respondeu Seu Ratão.

- Não se preocupe, sou apenas um animal perdido nesta imensa floresta. Por qual motivo usa esta bengala?

Perguntou mais uma vez o estranho

- Uso porque é preciso! Você é um sujeito muito mal educado!

Respondeu o sábio rato.

- Não quis ofende-lo. Meu nome é Língua Solta e estou procurando o caminho para o lago raso.

- Meu nome é Ratão e achara seu lago ao sul da floresta.

Disse o rato.

- Sabe, estou com muita fome e sou uma lagarta muito prestativa, poderia colher amoras com você?

Quis saber Língua Solta.

- Não se acha muito grande para ser apenas uma lagarta? Minha visão não é muito boa, mas sei distinguir uma lagarta de uma cobra mentirosa. E não pretendo tê-lo como companhia.

Após dizer isto, Seu Ratão largou seu pequeno cesto de amoras e tentou sair em fuga, mas poucos metros à frente, tropeçou em uma pedra.

- Não se precipite a correr seu rato velho. Não queria que me identifica-se tão rápido, gosto de conversar com minha comida. Sabe, vida de cobra é bem solitária.

Disse a cobra com um sorriso malicioso na face.

Quando Língua Solta ia se preparando para o bote no rato, Seu Ratão lhe roubou a atenção com uma pergunta.

- Mas por que vive tão sozinha uma cobra como você?

Queria ganhar tempo Ratão.

- Ora, quem gosta da companhia de um sujeito tão traiçoeiro e mentiroso quanto eu? Agora fique quieto que estou morto de fome!

Falou língua Solta.

Entretanto antes de uma nova investida pela parte da cobra, seu Ratão lhe fez outra pergunta.

- E por que o senhor tem de mentir tanto?

Língua Solta já estava perdendo a paciência.

- Nunca vi uma cobra que não mentisse. Acho que todas são assim!

Respondeu Língua Solta.

- Mas será que todas têm este péssimo costume? Não há ninguém em sua família que diga a verdade?

Insistiu Ratão.

- Deixe-me ver. Tem o tio Língua-Dupla que mente mais do que eu, a tia Língua traiçoeira que além de mentirosa é fofoqueira e tem também o...

Enquanto deixava a cobra distraída em seu próprio raciocínio, seu Ratão fugiu rapidamente e chamou ajuda para afugentar língua Solta. Antes que percebesse a ausência de sua vítima, a cobra viu uma multidão de animais furiosos correndo em sua direção com tochas, foices e outras coisas. Deram pauladas na cabeça de língua Solta, queimaram seu rabo e colocaram para correr a cobra peçonhenta.

Depois do terrível episódio o velho rato passou vários dias em casa se recuperando do susto e enquanto se recuperava, preocupava-se com o inverno que se aproximava, pois toda aquela confusão o impedira de conseguir a quantidade suficiente de amoras.

- Seu Ratão, Seu Ratão venha rápido aqui para fora!

Gritava leitão leitoso por de trás da porta da toca de seu Ratão.

- O que foi meu caro amigo, o que te atormenta?

Enquanto falava e abria a porta, Seu Ratão foi surpreendido por seus amigos que traziam consigo diversos cestos cheios das mais saborosas amoras de presente para o velho sábio.

Seu Ratão ficou tremendamente agradecido e feliz com a atitude de seus amigos, ficou tão agradecido que preparou uma bela torta de amoras e convidou a todos a sua casa para uma grande festa.

O inverno daquele ano foi bastante rigoroso e Seu Ratão teve comida suficiente por todo aquele período, e a todos que precisem Ratão compartilhava de sua comida. Ah, e depois disso Língua Solta nunca mais apareceu por aquelas bandas!

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