Certa vez Seu Ratão estava colhendo amoras pela floresta bonita. Seu Ratão era um rato silvestre de muita sabedoria e diversos animais apareciam em sua toca todas às noites de lua cheia para ouvir suas histórias.
Seu Ratão tinha um grande problema, sua visão era muito ruim e seus velhos óculos não lhe ajudavam muito. O velho sábio já consultara o doutor Gafanhoto diversas vezes e este nada poderá fazer pelo Ratão. Tudo o que Ratão podia fazer era confiar em seus outros sentidos e sua inteligência.
- Bom dia sábio Ratão, as amoras estão ótimas nesta época do ano!
Disse Dona Coelhita
- Muito bom dia para a senhora também! Este grande barulho de pequenos pezinhos são os seus filhotes?
Perguntou Ratão.
- Sim senhor! Trouxe trinta deles para passear, mas como é difícil vigiá-los!
- Ora minha simpática Coelha, quando trazê-los, traga os três mais velhos e coloque cada um deles para vigiar um grupo de dez. Tenho certeza que aliviara muito a sua carga.
Seu Ratão passou a semana inteira colhendo amoras. O seu trabalho não era fácil, pois sempre trombava em algo, além de passar muito tempo tentando encontrá-las.
Cada dia encontrava alguém diferente e sempre tinha um conselho novo para dar.
- Como vai seu Ratão?
Perguntou leitão leitoso.
- Tudo bem meu jovem rechonchudo.
Respondeu o rato silvestre.
- Seu Ratão preciso de sua ajuda! Estou preparando um delicioso bolo de mel e leite para o lanchinho da tarde e gostaria de usar o delicioso mel que encontrei dentro deste tronco oco e cortado. Mas não consigo entrar dentro dele para pegar um pouco daquela doçura, pois sempre que tento, acabo ficando entalado. O que devo fazer meu amigo?
- Primeiramente lhe aconselharia um regime, pois assim você irá tornar alvo fácil para os predadores que aqui habitam, mas como penso que o senhor não esta disposto a tal sacrifício, lhe aconselho a trazer um pouco de manteiga para passar em seu grande corpo.
Falou Seu Ratão.
Seu Ratão cumpriu sua jornada até a amoreira durante todo o mês. Queria ter a quantidade exata para quando chegasse o inverno.
Em uma tarde, enquanto coletava suas frutas, um estranho lhe pediu a atenção.
- Boa tarde caro rato silvestre.
Perguntou o estranho
- Não costumo saudar estranhos quando estou longe de minha toca. Pode ser perigoso!
Respondeu Seu Ratão.
- Não se preocupe, sou apenas um animal perdido nesta imensa floresta. Por qual motivo usa esta bengala?
Perguntou mais uma vez o estranho
- Uso porque é preciso! Você é um sujeito muito mal educado!
Respondeu o sábio rato.
- Não quis ofende-lo. Meu nome é Língua Solta e estou procurando o caminho para o lago raso.
- Meu nome é Ratão e achara seu lago ao sul da floresta.
Disse o rato.
- Sabe, estou com muita fome e sou uma lagarta muito prestativa, poderia colher amoras com você?
Quis saber Língua Solta.
- Não se acha muito grande para ser apenas uma lagarta? Minha visão não é muito boa, mas sei distinguir uma lagarta de uma cobra mentirosa. E não pretendo tê-lo como companhia.
Após dizer isto, Seu Ratão largou seu pequeno cesto de amoras e tentou sair em fuga, mas poucos metros à frente, tropeçou em uma pedra.
- Não se precipite a correr seu rato velho. Não queria que me identifica-se tão rápido, gosto de conversar com minha comida. Sabe, vida de cobra é bem solitária.
Disse a cobra com um sorriso malicioso na face.
Quando Língua Solta ia se preparando para o bote no rato, Seu Ratão lhe roubou a atenção com uma pergunta.
- Mas por que vive tão sozinha uma cobra como você?
Queria ganhar tempo Ratão.
- Ora, quem gosta da companhia de um sujeito tão traiçoeiro e mentiroso quanto eu? Agora fique quieto que estou morto de fome!
Falou língua Solta.
Entretanto antes de uma nova investida pela parte da cobra, seu Ratão lhe fez outra pergunta.
- E por que o senhor tem de mentir tanto?
Língua Solta já estava perdendo a paciência.
- Nunca vi uma cobra que não mentisse. Acho que todas são assim!
Respondeu Língua Solta.
- Mas será que todas têm este péssimo costume? Não há ninguém em sua família que diga a verdade?
Insistiu Ratão.
- Deixe-me ver. Tem o tio Língua-Dupla que mente mais do que eu, a tia Língua traiçoeira que além de mentirosa é fofoqueira e tem também o...
Enquanto deixava a cobra distraída em seu próprio raciocínio, seu Ratão fugiu rapidamente e chamou ajuda para afugentar língua Solta. Antes que percebesse a ausência de sua vítima, a cobra viu uma multidão de animais furiosos correndo em sua direção com tochas, foices e outras coisas. Deram pauladas na cabeça de língua Solta, queimaram seu rabo e colocaram para correr a cobra peçonhenta.
Depois do terrível episódio o velho rato passou vários dias em casa se recuperando do susto e enquanto se recuperava, preocupava-se com o inverno que se aproximava, pois toda aquela confusão o impedira de conseguir a quantidade suficiente de amoras.
- Seu Ratão, Seu Ratão venha rápido aqui para fora!
Gritava leitão leitoso por de trás da porta da toca de seu Ratão.
- O que foi meu caro amigo, o que te atormenta?
Enquanto falava e abria a porta, Seu Ratão foi surpreendido por seus amigos que traziam consigo diversos cestos cheios das mais saborosas amoras de presente para o velho sábio.
Seu Ratão ficou tremendamente agradecido e feliz com a atitude de seus amigos, ficou tão agradecido que preparou uma bela torta de amoras e convidou a todos a sua casa para uma grande festa.
O inverno daquele ano foi bastante rigoroso e Seu Ratão teve comida suficiente por todo aquele período, e a todos que precisem Ratão compartilhava de sua comida. Ah, e depois disso Língua Solta nunca mais apareceu por aquelas bandas!
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